Fonte: Revista Você S/A
Pouco importa se você pensar duas ou três vezes antes de fechar negócio com um amigo: será impossível analisar a operação racionalmente. Essa é a conclusão do estudo brasileiro publicado na última edição do The Journal of Neuroscience.
“Nosso principal objetivo era identificar se o indivíduo é capaz de visualizar uma injustiça vinda de alguém próximo”, diz Paulo Boggio, coordenador da pesquisa e do Laboratório de Neurociência Cognitiva e Social do Mackenzie. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a equipe desenvolveu uma mecânica particular para identificar o nível de racionalidade das decisões.
Um voluntário, um grande amigo e um estranho participavam do chamado Ultimatum Game. Nele, os pesquisadores mostravam ao voluntário algumas ofertas de divisão de um montante de 100 reais, sinalizando se a sugestão vinha do estranho ou do amigo. Cabia ao voluntário decidir se aceitava a oferta. No entanto, todas as propostas foram criadas pela equipe de pesquisa e distribuídas em número igual entre justas e injustas – sendo consideradas justas pelos voluntários as partilhas com até 80% do valor direcionado ao ofertante.
Em todos os casos, os participantes aceitaram mais ofertas desfavoráveis de amigos. Com eletrodos, foi possível identificar uma mudança no acionamento do sistema neuronal a partir do estímulo vindo de alguém próximo. “Há uma base neurofisiológica na tomada da decisão financeira, ainda que o indivíduo se esforce pela racionalidade”, diz Boggio.
Nestes casos, não há como fugir da própria mente. “A grande questão ainda não solucionada é como evitar as distorções geradas pelo emocional na hora de uma decisão financeira”, afirma o cientista. “A cautela e o estado de alerta tem de estar presentes o tempo todo, mesmo quando há segurança.”



