O sonho de trabalhar em grandes empresas faz com que milhares de jovens se inscrevam todos os semestres em programas de trainees. Geralmente esta carreira proporciona desenvolvimento profissional e projeção a cargos de lideranças em menos de 3 anos, além de bons salários iniciais e a possibilidade de trabalho no exterior.
Os perfis desejados pelas organizações são variados, já que cada área de atuação exige determinada competência e experiências prévias, porém não estão descartados deste processo os estudantes que nunca trabalharam, mas já tiveram experiências em empresas juniores e intercâmbios.
Como se pode ver é tudo muito variável, e cabe ao estudante escolher as áreas de atuação que tenha mais afinidade, para que o seu perfil seja realmente o desejado e escolhido pela empresa do processo seletivo.
Hoje eu trouxe a história do Danilo, que após passar em alguns processos para trainee viu o mercado abrir as portas para a sua atuação profissional.
Danilo Tadachi, 26 anos, é formado em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina, e faz sua segunda graduação em Contabilidade na Unisul, também em SC. Sua carreira é constituída de trabalhos voluntários através da Jr Achievement, intercâmbios na África do Sul e nos EUA (Boston e Colorado), e tem experiências profissionais em empresas como Unimed, Brasil Telecom, Softway, Dígitro, Deloitte (através do processo de trainee), e a atual Mexichem (Amanco) no ramo de auditorias.
Viviany: O que te motivou a seguir uma carreira de trainee?
Danilo: A oportunidade de crescimento, e a busca por novos desafios.
Viviany: Quanto tempo você se preparou para o processo de seleção? Como foi esta dedicação?
Danilo: Na última fase da faculdade, lá em 2007, eu comecei a me inscrever em diversos programas de trainee como os da Unilever, Ambev, Volkswagen, Bunge, e também nos das empresas com foco em auditoria, como a Deloitte, Price, KPMG, Ernest Young e BDO Trevisan.
Neste caso, como eu já tinha experiência na área de auditoria, e em função do perfil destas empresas a concorrência ser menor, isto poderia facilitar no meu processo de aprovação. Pensando desta forma cheguei na final de todas e escolhi a Deloitte; a maior do mercado.
Viviany: Lembra de quantos processos você se inscreveu? Em algum momento pensou em desistir ao saber da quantidade de candidatos inscritos?
Danilo: Me inscrevi em aproximadamente uns 15 processos, e já tinha noção da concorrência, mas não pensava em desistir porque acreditava na minha preparação, e desejava realmente atuar em auditoria como trainee.
Viviany: Quais foram as primeiras impressões ao assumir sua posição de trainee, e o que um jovem profissional deve esperar ao ser aprovado?
Danilo: Ao ingressar na Deloitte, empresa de auditoria externa, recebi um treinamento de 6 semanas em Curitiba/PR.
Ao ser aprovado um jovem deve saber que como trainee as oportunidades são ótimas pois permitem que você trabalhe com empresas grandes, tenha um plano de carreira diferenciado (ou é promovido ou é demitido), e muitas ainda proporcionam contato e trabalhos internacionalmente, estimulando você a se manter atualizado para que não se torne um profissional ultrapassado.
Existe muito trabalho, muito aprendizado, visibilidade no mercado, oportunidades de desenvolvimento profissional, tanto para aspectos técnicos quanto a progressão salarial. O perfil de auditor é bastante valorizado no mercado e em um curto prazo, mas como pontos a refletir menciono o excesso de carga-horária, o salário inicial mais baixo (no ramo de auditoria), viagens bastante freqüentes, muitas metas, trabalho sobre pressão, e carga-horária excessiva fim de semana.
Viviany: Pra quem você não recomendaria os programas de trainees?
Danilo: Não recomendo esta carreira, para:
- Quem evita horários flexíveis de trabalho;
- Quem não sabe trabalhar por resultados;
- Quem não busca se desenvolver, pois a carreira de trainee pede atualização constante; e
- Quem não gosta de mobilidade, pois a pessoa precisará ir para o lugar que a empresa determinar.


