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31 Jul 2010

Vida de trainee

O sonho de trabalhar em grandes empresas faz com que milhares de jovens se inscrevam todos os semestres em programas de trainees. Geralmente esta carreira proporciona desenvolvimento profissional e projeção a cargos de lideranças em menos de 3 anos, além de bons salários iniciais e a possibilidade de trabalho no exterior.

Os perfis desejados pelas organizações são variados, já que cada área de atuação exige determinada competência e experiências prévias, porém não estão descartados deste processo os estudantes que nunca trabalharam, mas já tiveram experiências em empresas juniores e intercâmbios.

Como se pode ver é tudo muito variável, e cabe ao estudante escolher as áreas de atuação que tenha mais afinidade, para que o seu perfil seja realmente o desejado e escolhido pela empresa do processo seletivo.

Hoje eu trouxe a história do Danilo, que após passar em alguns processos para trainee viu o mercado abrir as portas para a sua atuação profissional.

Danilo Tadachi, 26 anos, é formado em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina, e faz sua segunda graduação em Contabilidade na Unisul, também em SC. Sua carreira é constituída de trabalhos voluntários através da Jr Achievement, intercâmbios na África do Sul e nos EUA (Boston e Colorado), e tem experiências profissionais em empresas como Unimed, Brasil Telecom, Softway, Dígitro, Deloitte (através do processo de trainee), e a atual Mexichem (Amanco) no ramo de auditorias.

Viviany: O que te motivou a seguir uma carreira de trainee?
Danilo: A oportunidade de crescimento, e a busca por novos desafios.

Viviany: Quanto tempo você se preparou para o processo de seleção? Como foi esta dedicação?
Danilo: Na última fase da faculdade, lá em 2007, eu comecei a me inscrever em diversos programas de trainee como os da Unilever, Ambev, Volkswagen, Bunge, e também nos das empresas com foco em auditoria, como a Deloitte, Price, KPMG, Ernest Young e BDO Trevisan.
Neste caso, como eu já tinha experiência na área de auditoria, e em função do perfil destas empresas a concorrência ser menor, isto poderia facilitar no meu processo de aprovação. Pensando desta forma cheguei na final de todas e escolhi a Deloitte; a maior do mercado.

Viviany: Lembra de quantos processos você se inscreveu? Em algum momento pensou em desistir ao saber da quantidade de candidatos inscritos?
Danilo: Me inscrevi em aproximadamente uns 15 processos, e já tinha noção da concorrência, mas não pensava em desistir porque acreditava na minha preparação, e desejava realmente atuar em auditoria como trainee.

Viviany: Quais foram as primeiras impressões ao assumir sua posição de trainee, e o que um jovem profissional deve esperar ao ser aprovado?
Danilo: Ao ingressar na Deloitte, empresa de auditoria externa, recebi um treinamento de 6 semanas em Curitiba/PR.
Ao ser aprovado um jovem deve saber que como trainee as oportunidades são ótimas pois permitem que você trabalhe com empresas grandes, tenha um plano de carreira diferenciado (ou é promovido ou é demitido), e muitas ainda proporcionam contato e trabalhos internacionalmente, estimulando você a se manter atualizado para que não se torne um profissional ultrapassado.
Existe muito trabalho, muito aprendizado, visibilidade no mercado, oportunidades de desenvolvimento profissional, tanto para aspectos técnicos quanto a progressão salarial. O perfil de auditor é bastante valorizado no mercado e em um curto prazo, mas como pontos  a refletir menciono o excesso de carga-horária, o salário inicial mais baixo (no ramo de auditoria), viagens bastante freqüentes, muitas metas, trabalho sobre pressão, e carga-horária excessiva fim de semana.

Viviany: Pra quem você não recomendaria os programas de trainees?
Danilo: Não recomendo esta carreira, para:
- Quem evita horários flexíveis de trabalho;
- Quem não sabe trabalhar por resultados;
- Quem não busca se desenvolver, pois a carreira de trainee pede atualização constante; e
- Quem não gosta de mobilidade, pois a pessoa precisará ir para o lugar que a empresa determinar.

* este post integra a sessão ‘Um papo sobre Carreira’.

* este post integra a sessão ‘Um papo sobre Carreira’.

25 Abr 2010

Intercâmbio no Egito

O Oriente Médio é de longe uma das primeiras escolhas de brasileiros para um intercâmbio profissional. Todos os caminhos sempre levam, comumente, para a América do Norte e para a Europa.

A curiosidade de saber o que se passa em vários lugares do mundo, e as experiências vividas por estudantes e profissionais é o que me motiva a construir este trabalho e propor diversas conversas com pessoas que buscam incrementar sua carreira em lugares diferentes daqueles em que foram criadas.

Quanto ao Egito? mais diferente, impossível. Escolhi a história do Renan pra ser a primeira de muitas outras que virão, e farão você refletir e desafiar-se em novos aprendizados. Vamos lá!

Renan Caixeiro, 21 anos, é formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora, sua cidade natal, e tem direcionado sua carreira para as áreas de marketing e comunicação empresarial. Desde janeiro de 2010 está em um intercâmbio na Platinum Partners, uma consultoria de administração no Cairo, capital do Egito, onde ficará até o próximo 30 de abril.

Viviany: Ao chegar no país você enfrentou alguma dificuldade quanto à adaptação cultural? Existem costumes muito diferentes se comparados ao Brasil?
Renan: Em relação ao Egito eu tive duas dificuldades fortes no começo. A primeira foi em relação à alimentação. Além de não estar habituado à culinária local, os horários de café da manhã e almoço também me confundiram. É costume aqui o café ser por volta de meio dia e o almoço por volta de 19h – então tive que me acostumar com um lanche no horário do almoço (do Brasil).

Meu outro problema foi chegar ao trabalho. O transporte público na cidade do Cairo é bastante confuso e desorganizado. Demorava cerca de 2 horas só para chegar ao trabalho e tinha que caminhar, pegar metrô e táxi. Além de isto ser cansativo, ficava pesado no meu orçamento aqui, mas graças a Deus consegui me mudar para um lugar próximo ao trabalho – agora caminho cerca de 15 minutos.

De uma maneira geral, o que diferencia o Egito do Brasil é a influência da religião no dia-a-dia. O Brasil é um Estado laico, apesar de a maioria ser cristã, já no Egito não há essa separação, pois o Estado é islâmico. Por um lado isto é ótimo, mas por outro limita algumas coisas – pra quem gosta de bebida alcoólica, principalmente. O lado bom é que os egípcios seguem a religião islâmica e dentre outras coisas esta é uma religião que combate a criminalidade. Assaltos e assassinatos são coisas raras no Egito; este é um dos países mais seguros do mundo, até mais do que alguns europeus, por exemplo. O policiamento é bastante presente também.

Além disso, a religião influencia muito no relacionamento entre as pessoas. É raro ver grupos de amigos de homens e mulheres, pois isto é bem separado. As mulheres só andam com mulheres e por aí vai. Já entre os homens as relações são bem parecidas com as do Brasil – de certa forma, até mais abertas, pois é comum ver amigos andando de mãos e braços dados – o que simboliza uma amizade forte entre homens, e lembrando que homossexualismo não é algo comum por aqui.

Viviany: Em qual empresa você trabalha, qual a sua função?
Renan: A Platinum Partners é uma empresa de pequeno porte, com cerca de 15 funcionários fixos e outros que são contratados para projetos específicos. Ela trabalha com consultoria na área de desenvolvimento de negócios, além de vender treinamentos, concorrendo principalmente com empresas como PriceWaterhouseCoopers aqui no Oriente Médio.

Minha função é de estagiário. Eu executo algumas tarefas de suporte (comunicação e marketing) e trabalhei com treinamento de empresas na área de vendas (um dos produtos da consultoria). Minha job é um projeto interno, e basicamente o que eu faço é estudar bastante sobre vendas (e demais treinamentos que eles já deram) e organizar o material para os próximos eventos, que duram cerca de 3 dias.

Eu trabalho diretamente com uma equipe de egípcios e com outros intercambistas que estão aqui.

Viviany: Durante este tempo que você tem trabalhado com marketing no Egito, já é possível identificar práticas de trabalho diferentes das existentes no Brasil? Viu algo de inovador ou algo muito atrasado que vale a pena ser melhorado nesta área?
Renan: Eu identifiquei um estilo bastante diferente de trabalho. De certa forma, os egípcios são mais “tranqüilos” para trabalhar, e as coisas fluem de forma bem solta, sem muita pressão. Eu esperava muito mais pressão, principalmente por se tratar de uma consultoria.

Pelo que eu percebi, eu diria que o Egito está como o Brasil estava há cerca de 20 anos. Os conceitos de marketing e comunicação empresarial, por exemplo, ainda estão dando os primeiros passos por aqui. Não vi muita inovação, vi mais imitação. Há mais influência das empresas americanas e européias no Mercado – elas se destacam pelas ações.

O que eu percebo é um Egito que caminha rumo a uma “ocidentalização” – eles adoram carros como Mercedes e BMW, música eletrônica americana, fast food, futebol europeu, roupas italianas, etc. Por outro lado, há ainda a forte presença da cultura islâmica e árabe nos costumes, relacionamentos e gestão de negócios.

Pelo lado do Jornalismo, a minha formação, o que eu vejo não me anima. A mídia não tem muita liberdade de expressão – o país vive uma espécie de ditadura “democrática”, com um presidente “eleito” que completará 30 anos no poder. Uma boa parte da população nunca teve outro presidente. Eu acredito que isso é um entrave no desenvolvimento do país, mas mesmo assim não dá pra ver uma saída “democrática” para os próximos anos, pois a população precisa ser educada quanto a isso e há muito trabalho a ser feito.

Viviany: Você foi para um país que não é muito comum nos destinos de viagens. Que mensagem deixa para um estudante ou profissional que deseja buscar oportunidades em países diferentes, e passar por este tipo de experiência?
Renan: Quanto mais diferente, melhor. Quem estiver interessado em buscar um intercâmbio, eu aconselho a se desafiar em um lugar como o Oriente Médio. Quanto maior o choque cultural, melhor vai ser a experiência – é o que acredito.

Se você quiser conhecer mais sobre esta experiência, os relatos são encontrados no blog do Renan em http://renancaixeiro.wordpress.com. Confere lá!

Viviany

* este post integra a sessão ‘Um papo sobre Carreira’.

21 Abr 2010

Em breve

Ouvir histórias e aprender com base nas experiências de outras pessoas é sem dúvida uma das coisas mais prazerosas pra quem está no início de carreira.

Observando o dia-a-dia de diversos estudantes e profissionais, sendo alguns destes meus amigos de ‘nova e velha data’, percebo que as suas escolhas profissionais são as mais variadas possíveis. São tempos diferentes, criação familiar e preparação educacional diferentes, além das específicas necessidades pessoais e sonhos. Ao considerar todos estes aspectos é possível compreender o direcionamento que cada um dá para a sua carreira, desde o abandono dos estudos em função do foco em trabalho, como também o ingresso na universidade e o início de atividades profissionais através de estágios, faculdade e trabalho no exterior, dedicação nas empresas privadas como trainee, ou ainda a opção de carreira pública em diversas áreas.

A partir de toda esta diversidade pensei em ouvir profissionais – ou profissionais em formação -, e construir um material que pudesse servir de consulta, aqui no blog, para diversos estudantes que ainda estão pensando no seu destino profissional, e nas etapas que podem ser construídas para melhor se prepararem para seguir no mercado de trabalho, e principalmente estarem feliz com cada escolha realizada, e o aprendizado vivido nas oportunidades.

Algumas conversas já foram feitas e em breve as entrevistas, e experiências contadas, serão publicadas por aqui. :)

Viviany

* este post integra a sessão ‘Um papo sobre Carreira’.

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